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Dilma faz pronunciamento por ocasião do Dia Internacional da Mulher

9 de Março de 2012

Folha de São Paulo: o panfleto do preconceito. Não compre! Não leia!

8 de Fevereiro de 2012

ditabranda

A Folha de São Paulo é um poço de preconceitos e vulgaridades, hoje,  na página 2 – Opinião o "calunista" piguento Fernando Rodrigues diz o seguinte "Em contrapartida, ontem também foi anunciado o nome de Eleonora Menicucci como nova ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres. No seu perfil publicado por uma revista, ela afirma: "Me relaciono com homens e mulheres e tenho muito orgulho de minha filha, que é gay e teve uma filha por inseminação artificial".

É incomum uma ministra apresentar de maneira tão aberta suas convicções pessoais. Ex-presa política na ditadura, Menicucci declara-se desde sempre a favor da descriminalização do aborto. A franqueza não garante a ela sucesso no cargo."

A Folha é o jornalixo que emprestou carros para levar presos políticos para o DOI CODI (para serem torturados), é a mesma que usou a expressão "ditabranda" e que publicou a ficha falsa da Dilma, além de cometer a barrigada de publicar a barrriga da falsa grávida.

carro da folha usado durante a ditadura para torturar presos

Concordo com PHA (Paulo Henrique Amorim)  quando diz em seu blog: “que a Folha transcreve entrevista da Ministra em trecho que trata de suas preferências sexuais. Taí, a Folha deveria fazer isso com todos os homens públicos: dar a idade e a preferência sexual. A começar pelo PSDB de São Paulo. E lembra: e por que não colocar ao lado da assinatura de cada reporter e editor da Folha, também ? Inclinacao sexual e partidária. Seria otimo: Fulano/a de tal, bi, gay, hetero tucano/a roxo/a.”

Fazer oposição já sabemos que faz, mas cada vez mais esse planfleto do preconceito, da extrema direita e da eleite paulistana deveria ser extinta. Vamos colaborar para ajudar na extinção desse jornaleco: NÃO COMPRE E NÃO LEIA ESSE LIXO!

CPI da Privataria Tucana deve sair em Março

8 de Fevereiro de 2012

privataria tucanaEssa CPI é a mais importante dos últimos tempos e  vai desnudar a roubalheira do Governo FHC e de seu comparsa José Serra. A propósito como o PIG – Partido da Imprensa Golpita vai se comportar? Compre, leia e divulgue o livro “A Privataria Tucana” de Amaury Ribeiro Jr.

 

 

 

Da Rede Brasil Atual

Por: Raoni Scandiuzzi, Rede Brasil Atual

São Paulo – O deputado federal Protógenes Queiroz (PcdoB-SP) afirmou nesta terça-feira (7) que a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Privataria deverá iniciar seus trabalhos na primeira quinzena de março. Ele vai se reunir nesta terça com o presidente da Câmara, deputado Marco Maia (PT), para se informar sobre os trâmites regimentais que deverão ser cumpridos até a instalação.

A investigação tem origem no livro A Privataria Tucana, do jornalista mineiro Amaury Ribeiro Jr., que apresenta documentos e indícios de um esquema bilionário de fraudes no processo de privatização de estatais na década de 1990. José Serra (PSDB) era o ministro do Planejamento, gestor do processo. Com documentos, o jornalista acusa o ex-caixa de campanha do PSDB e ex-diretor da área internacional do Banco do Brasil Ricardo Sérgio de Oliveira de ter atuado como "artesão" da construção de consórcios de privatização em troca de propinas. Serra chegou a chamar a CPI de palhaçada e disse que o conteúdo do livro não passava de lixo.

privataria“Eu acredito que na primeira quinzena de março nós já tenhamos uma autorização para escolha dos membros que vão compor a CPI”, disse Protógenes. Ele explicou que é permitida a tramitação de cinco CPIs simultâneas, a da Privataria será a quarta da lista. As outras três já foram protocoladas. Vão investigar o trabalho escravo, a exploração sexual infantil e o tráfico de pessoas. A quinta Comissão será referente à distribuição dos royalties de petróleo.

O parlamentar também contou que as movimentações na Casa estão bastante favoráveis à instalação da CPI. “Já encontrei colegas parlamentares que estão enviando alguns ofícios de apoio para a instalação urgente da CPI”, falou. O deputado Marco Maia não foi encontrado pela reportagem, e sua assessoria não soube informar prazos para a abertura da Comissão Parlamentar.

Sendo 2012 um ano eleitoral, Protógenes prevê que o assunto terá grande repercussão nacional. “Não terá o andamento comprometido por conta das eleições. O tema irá dominar a pauta política, disso é impossível fugir. O importante é obtermos o resultado almejado na CPI”, explicou.

Dilma não privatizou os aeroportos, o sistema usado é de partilha!

7 de Fevereiro de 2012

caos-aereo-no-aeroporto-Santos-Dumont-size-598

(Fabio Motta/Agência Estado)

Esses dias uma comoção aconteceu no twitter, de um lado críticas ao modelo de partilha feita por Dilma Roussef para atender a demanda de melhorias e expansão dos aeroportos brasilieros, de outro lado alguns twitteros e blogueiros tendo explicar que os aeroportos não foram privatizados.

Para ajudar o leitor a entender melhor o que aconteceu segue algumas contribuições de Stanley Burburinho e PHA. Já que o PIG – Partido da Imprensa Golpista não conseguiu explicar, vamos tentar dar uma ajudinha:

Então vamos aos fatos levantados por Stanley Burburinho (@stanleyburburin)

Para entender a concessão/partilha dos aeroportos: 

1 – Não houve privatização dos aeroportos. mas uma partilha
O que foi a leilão foi patrimônio nacional não renovável, como as jazidas minerais da Vale do Rio Doce. ou as jazidas do pré-sal da Petrobrax. Dilma leiloou a gestão de serviços.

2 – O controle do que interessa, do que é vital, a gestão do espaço aéreo, isso continua no Brasil.
Outra coisa, a Infraero é sócia dos consórcios vencedores, com participação forte – 49% em Guarulhos. E a Dilma tem direito a veto na administração dos aeroportos. Ou seja, a Presidenta Dilma tem o pé na porta. Não cumpriu o que prometeu, ela entra na sala.

3 – E 49% da geração de lucro de Guarulhos não é de se jogar fora. É dinheiro para a Infraero aplicar em outros aeroportos essenciais à interiorização do progresso. Portanto, o dinheiro do setor aéreo não está sendo "desestatizado", está sendo remanejado da região mais rica para as regiões mais pobres, corrigindo desequilíbrios regionais. A Infraero continua dona da concessão de 49% destes três aeroportos e, portanto, continuará tendo metade dos lucros deles.

IMPORTANTE: A concessão tem prazo: 20 anos para Guarulhos, 25 para Brasília, e 30 para Viracopos, podendo prorrogar apenas por 5 anos. DEPOIS DISSO, OS AEROPORTOS VOLTAM ÀS MÃOS DO ESTADO  e, se lá o governo quiser deixar 100% nas mãos da Infraero ou fazer novo leilão, pode decidir o que for melhor.

4 – A Infraero não foi privatizada. Ela perdeu espaço nestes Aeroportos por uma mão, mas ganhará pela outra, nos Aeroportos estatais que receberão investimentos do FNAC.
Detalhe: SP e BSB não terão nenhum prejuízo. Pelo contrário, as concessionárias estão obrigadas a investir R$ 16 bilhões nos 3 aeroportos ao longo dos anos, para ampliação e modernização.

5 – Em tempo: o BNDES não está financiando o valor da concessão, como há gente mal informada dizendo por aí. O BNDES oferece empréstimo para obras de ampliação dos aeroportos, como sempre fez com outros empreendimentos industriais e de infra-estrutura.

6 – Há diferenças a serem consideradas em relação ao modelo de privatização dos anos 90. A Infraero mantem 49% do capital.

7 – O BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social) financiará exclusivamente os investimentos previstos. Nos anos 90 [o BNDES] financiava a compra.

8 – Os recursos arrecadados serão destinados a aeroportos menores.

Links: is.gd/iVQOrG / is.gd/HlIVMQ / is.gd/FMiWdu

9 – Ainda sobre a partilha dos aeroportos: Não houve sucateamento prévio para reduzir o preço de venda. Ainda sobre a partilha dos aeroportos: O BNDES não vai aceitar moedas podres como pagamento pelos empréstimos. O limite não é o da irresponsabilidade /Dicas ruyacquaviva e Ana Barbosa
10 – Iniciativa privada se torna parceira da INFRAERO; ao final da concessão, os terminais são revertidos ao patrimônio da União, tucanos venderam a segunda maior mineradora do mundo, a Vale do Rio Doce, pelo preço de um aeroporto secundário.

10 – Outra ideia interessante, mas ainda não implementada, é a concessão de terrenos nos aeroportos para terminais privados – chicorasia 

Para os que agora dizem que Dilma "traiu" quem votou nela, veja os links abaixo sobre Dilma falando sobre Infraero em 2010. Isso mesmo, em 2010:


1 – Dilma não prometeu impedir investimentos privados na Infraero. E nem se calou. Durante a campanha expôs seu pensamento.
http://partidodaimprensagolpista.files.wordpress.com/2012/02/7-de-fevereiro-dilma-e-aeroportos.jpg

2 – Jornal do Brasil: Notícia de 02/08/2010 – Dilma afirma ser a favor da abertura de capital da Infraero
http://jornal-do-brasil.jusbrasil.com.br/politica/5411232/dilma-afirma-ser-a-favor-da-abertura-de-capital-da-infraero
VÍDEO – Youtube: "Dilma quer privatizar Infraero" – http://www.youtube.com/watch?v=9pKHOqd7FBA
Notícia de 22/08/2010 – Dilma defende abertura de capital da Infraero para melhorar aeroportos. Para candidata, é possível manter controle da Infraero nas mãos do Estado, assim como ocorre com a Petrobrás 02 de agosto de 2010 | 16h 48

Na prática, a intenção de Dilma seria usar recursos da iniciativa privada, em parceria com o governo, para melhor o sistema aeroportuário do país. "Acredito que não haveria dificuldade de abrir o capital da Infraero e manter o controle (da empresa)
nas mãos do Estado, como ocorre com a Petrobrás", disse.
(…)
http://economia.estadao.com.br/noticias/economia servicos,dilma-defende-abertura-de-capital-da-infraero-para-melhorar-aeroportos,29896,0.htm

Já Paulo Henrique Amorim disse em seu blog

A diferença entre a privatização dos aeroportos e da Cemig, a Elena Landau e seu patrão, na época, Daniel Dantas conhecem muito bem.

(O atual patrão de Landau, Sergio Bermudes, é amigo de fé e irmão camarada do ex-Supremo Presidente Supremo do Supremo, Gilmar Dantas (*), aquele que deu dois HCs do tipo Canguru em 48h a … quem ? A Daniel Dantas !)

A diferença entre a privatização dos aeroportos e a da Light, a Elena Landau, que bateu o martelo com o então Privatizador-Mor, Padim Pade Cerra, a Elena Landau conhece muito bem.

A diferença entre a privatização dos aeroportos e a da telefonia, Elena Landau conhece como a palma da mão.

Na Cemig, ela e Daniel dantas, com meia duzia de tostões controlavam a empresa vendida por Eduardo Azeredo, aquele governador do Mensalão Tucano de Minas.

(Azeredo, hoje, dedica-se a aprovar na Câmara um AI-5 Digital. Que biografia !)

Foi preciso o presidente Itamar Franco eleger-se governador de Minas e tomar a CEMIg de volta.

(Aparentemete, Aécio Never vendeu a Cemig de novo.)

Na telefonia, a diferença entre a privatizaçao do Cerra e do Farol de Alexandria e a dos aeroportos da Dilma é … o livro “A Privataria Tucana”, de Amaury Ribeiro Junior.

É o clã do Cerra: sua filha, seu genro, seu cunhado e seu sócio.

Breve, o livro do Amaury será tema de palpitante CPI.

Quando Elena Landau poderá dar precioso testemunho à História do Brasil.

E do Fla-Flu.

Em tempo: os colonistas (**) do PiG (***) não conseguem esconder que a privatização da Dilma foi um sucesso es-pe-ta-cu-lar.

Paulo Henrique Amorim

Geraldo Alckmin e o aparelhamento do Estado de São Paulo

3 de Fevereiro de 2012

Saiu hoje no Vi o Mundo o aparelhamento do Estado de São Paulo.  O (des)governador Opus Dei, Geraldo Alckmin não perde tempo e a exemplo de Serra aumenta o número de cargos comissionados em 105%.  Somando 1.401 novos cargos em comissão aos já existentes, chega-se a 2.528.  Mas o PSDB e os jornalões da “capitar”  não vão comentar esse assunto, pois para eles aparelhamento do Estado só ocorre em nível federal. E a paulistada pagando a conta!

Governo Alckmin: Para aplicar lei do piso falta dinheiro; para cargos em comissão, não

por Américo da Silva

A todo instante, os tucanos, a começar pelo senador Aécio Neves, de Minas, acusam o governo federal de aparelhamento do Estado com o aumento do número de cargos em comissão.

Só que fazem diferente do apregoam para os outros.  O ex-governador  José Serra, por exemplo,  só no Centro Paula Souza, autarquia que administra as escolas técnicas e faculdades de Tecnologia do estado de São Paulo, criou mais 2 mil cargos em comissão. Isso sem falar nos mais de 224 mil cargos sem concurso público criados nos hospitais geridos por Organizações Sociais de Saúde (OSs).

O governador Geraldo Alckmin está seguindo a mesma prática. Recentemente ele anunciou a reorganização da Secretaria de Educação. Extinguiu quatro unidades orçamentárias, entre elas a Coordenadoria da Grande São Paulo e do Interior, e criou outras seis novas unidades orçamentárias.
Essa reorganização fez com que Alckmin enviasse à Assembleia Legislativa o projeto de lei que cria 1.401 cargos em comissão na Secretaria de Educação, com impacto anual de R$ 62,8 milhões. Além disso, serão criados 342 cargos permanentes, providos por concurso que representarão custo anual de R$ 11 milhões.

Conclusão: aumento de 309%  de cargos em comissão do que os gerados por concurso, com  impacto orçamentário 468% maior.

Veja abaixo o autógrafo do presidente da Assembléia Legislativa. Autógrafo, no jargão parlamentar, significa que o projeto já foi aprovado pela assembleia e segue para sanção do governador com todas as alterações feitas pelo Legislativo:

Para justificar essa medida e temendo desgaste político, o governo Alckmin afirma que haverá economia de R$ 17,3 milhões por ano com a extinção de cargos. Além disso, com o decreto que reorganizou a secretária, projeta-se a extinção de mais de 303 cargos com redução de R$ 6,8 milhões.

Ocorre que esses cargos que serão extintos não gerarão economia ao tesouro estadual, pois estão vagos.
De acordo com a Lei Complementar n° 1.080, de 17/12/2008, a Secretaria de Educação tem hoje 1.230 cargos em comissão. Desses, 699 estão ocupados (56%) e 531 vagos ou não preenchidos, segundo o relatório publicado no Diário Oficial do Estado.

Assim, somando os 1.401 novos cargos em comissão aos já existentes, chega-se a 2.528.  Uma elevação de 105% .Veja o resumo das alterações nos cargos em comissão da Secretaria de Educação.

Segundo o artigo 2 do projeto de lei, aprovado pela Assembleia Legislativa, esses cargos serão preenchidos preferencialmente por funcionários de carreira. Na prática, porém, nada garante que isso vá ocorrer. Por meio de dados públicos do próprio governo estadual, veja os cargos e salários iniciais:

Cargos em Comissão na Educação

Cargos criados por concurso

O governador Alckmin, que “gosta” de dar aula de democracia para alunos da USP e recentemente disse que decisão judicial é para ser cumprida, parece está sofrendo de amnésia.  Afinal,  está se negando  a  cumprir a ordem judicial que determinou o cumprimento da aplicação da lei do piso que, que implica na mudança na jornada de trabalho dos professores da rede pública de ensino do Estado de São Paulo. O cumprimento dessa determinação judicial poderia criar mais 50 mil vagas para professores, além de ajudar, de fato, a melhorar o ensino.

Engraçado que Alckmin e o seu secretário da Educação afirmam que não têm recursos para mudar a jornada de trabalho dos professores paulistas. Só que para cargos em comissão, dinheiro não falta. O que falta é a falta de vontade política para efetuar profundas alterações na carreira docente.

Defensoria Pública conta a verdadeira história do Pinheiro e diz “Não existe lei em São Paulo”

3 de Fevereiro de 2012

Um verdadeiro show de arbritariedades do Governo de São Paulo e do Prefeito de São José dos Campos.

Quando a direita ruge e o fascismo mostra suas garras

1 de Fevereiro de 2012

Por Selene Gallucci Sidney

SP-FascistaTemos vividos nos últimos anos um retrocesso que atinge vários Estados, mas em especial a maior metrópole brasileira: São Paulo.

São Paulo é um Estado conservador e por isso, o PSDB conquistou 20 anos de governo, com a eleição em 2010 de Geraldo Alckmin.

Quando um governo de direita assume o poder, ele mostra ao seu povo quem manda através da força e do medo. Com a ajuda a mídia o povo fica dominado e qualquer manifestação precisa ser reprimida com violência: a cultura do medo vigora.

A ordem precisa ser mantida a qualquer custo. Essa é a direita que ruge e o fascismo que mostra suas garras e que ameaça nossa democracia.

Por isso, indico dois textos para leitura. O primeiro de Marcelo Semer publicado originalmente no Portal Terra e o segundo de Vladimir Safatle saiu na Folha.

Aproveite para conhecer o depoimento de Paulo Maldos, secretário nacional de Articulação Social da Presidência da Repúblico sobre ação da PM no Pinheirinho.

"Voltei fiquei falando com os jornalistas. Fomos chamados por um grupo de oficiais. Eu tentei ir junto, mas fui barrado. Apresentei meu cartão da Presidência da República. Com brasão. Secretaria Nacional. Ele leu e falou que eu não entrava. Ele falou você : você volta e manda sua presidenta falar comigo (murmuros).

 

Fascismo emergente esmaga solidariedade

Marcelo Semer
De São Paulo


Moradora carrega pertences na reintegração de posse de Pinheirinho, em São José dos Campos (Foto:Reinaldo Marques/Terra)

Meses atrás, manchetes de grandes jornais davam conta de que cem mil presos iam sair das cadeias da noite para o dia com a nova lei das prisões.

A fotografia de uma delegacia em Goiás nesta semana, com detentos jogados ao chão e algemados na parede por falta de vagas dá bem o retrato do embuste que foi a criação dessa expectativa.

Mas o discurso do medo teve lá a sua serventia. Como diz o escritor Mia Couto, "Para fabricar armas é preciso fabricar inimigos. Para produzir inimigos é imperioso sustentar fantasmas".

Esse discurso elevado propositadamente à enésima potência tem servido para legitimar, se é que o verbo pode se adequar a hipóteses tão dramáticas, a política de ordem e disciplina que vem pouco a pouco se instalando em corações e mentes.

A forte repressão, policial e jurídica, à marcha da maconha; a tropa de choque contra estudantes na USP; a polícia na linha de frente da saúde pública, na Cracolândia; o abrupto despejo de milhares de almas em Pinheirinho.

Como drogados, estudantes rebeldes, famílias inteiras foram submetidas a doses de dor e sofrimento em nome do restabelecimento da ordem. Afinal, onde ficaria o respeito à propriedade privada e à decisão judicial?

Mas será que um terreno de um milhão de metros quadrados vazio por décadas, ao lado de milhares de pessoas que não têm onde morar, também não seria por si só uma violação da ordem?

Com o apoio de um certo terror midiático, que busca convencer que o fim do mundo está na próxima esquina, as políticas de estado vão sendo paulatinamente subordinadas a decisões bélicas -é basicamente disso que se trata quando a PM prepara por meses a inteligência de suas intervenções.

Acontece com frequência incomum na São Paulo atual, mas não apenas nela. Militarização e repressão tem se espalhado por outros cantos do país.

A supervalorização da ordem desconsidera, sobretudo, a solidariedade, fundamento dos principais objetivos de nossa República.

Eles ainda estão lá perdidos no art. 3º, da Constituição e lidos hoje parecem pouco mais do que contos de fada: "construir uma sociedade livre, justa e solidária; erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais; promover o bem de todos…".

Se isso tudo que está no coração da Lei Maior não vale nada, como ensinar ao povo que a lei deve ser cumprida? Com a força e pronto.

O pior de tudo é que nossa experiência recente ensinou que a solidariedade, além de justa, produz efeitos colaterais irrenunciáveis.

As políticas de transferência de renda vitaminaram uma considerável ascensão social e revigoraram o mercado interno consumidor, importante para amortecer o peso da crise mundial.

É preciso apostar mais nas pessoas e não menos. Emancipar o povo fará do Brasil um país muito melhor -sacrificá-lo, o devolverá ao passado, não à modernidade que tanto se apregoa.

Afinal, privilegiar a ordem sem solidariedade é investir na mera dominação. Usar a polícia para tutelar a propriedade privada é coisa que se faz no país desde a escravatura. Mas a supervalorização da ordem que se vê hoje pode ir além do que o tradicional predomínio do mais forte: é um passaporte para o fascismo.

Um jornalista da Rede Record chorou em plena produção da reportagem quando viu uma criança de dois anos, chupeta na boca, sentada sobre um tijolo de sua casa despedaçada em Pinheirinho, talvez sem entender o que acontecia.

Também foi impossível ver a imagem do preso goiano deitado e algemado na parede e não se lembrar da amarra de um animal indócil.

Quiçá possamos ser um pouco reféns dessas imagens que nos perturbam e nos comovem.

Para além dos cálculos e dos códigos, dos cassetetes e dos tratores, existem vidas esperando ser simplesmente consideradas.

Por quanto tempo vamos ignorá-las?

Marcelo Semer é Juiz de Direito em São Paulo. Foi presidente da Associação Juízes para a Democracia. Coordenador de "Direitos Humanos: essência do Direito do Trabalho" (LTr) e autor de "Crime Impossível" (Malheiros) e do romance "Certas Canções" (7 Letras). Responsável pelo Blog Sem Juízo.

Escala F

Na década de 50, o filósofo alemão Theodor Adorno (1903-1969) uniu-se a um grupo de psicólogos sociais norte-americanos para desenvolver um estudo pioneiro sobre o potencial autoritário inerente a sociedades de democracia liberal, como os Estados Unidos.

O resultado foi, entre outras coisas, um conjunto de testes que permitiam produzir uma escala (conhecida como Escala F, de "fascismo") que visava medir as tendências autoritárias da personalidade individual.

Por mais que certas questões de método possam atualmente ser revistas, o projeto do qual Adorno fazia parte tinha o mérito de mostrar como vários traços do indivíduo liberal tinham profundo potencial autoritário.

O que explicava porque tais sociedades entravam periodicamente em ondas de histeria coletiva xenófoba, securitária e em perseguições contra minorias.

O que Adorno percebeu na sociedade norte-americana vale também para o Brasil. Na semana passada, esta Folha divulgou pesquisa mostrando como a grande maioria dos entrevistados apoia ações truculentas como a internação forçada para dependentes de drogas e intervenções policiais espetaculares como as que vimos na cracolândia.

Se houvesse pesquisa sobre o acolhimento de imigrantes haitianos e sobre a posição da população em relação à ditadura militar, certamente veríamos alguns resultados vergonhosos.

Tais pesquisas demonstram como a idealização da força é uma fantasia fundamental que parece guiar populações marcadas por uma cultura contínua do medo.

É preferível acreditar que há uma força capaz de "colocar tudo em ordem", mesmo que por meio da violência cega, do que admitir que a vida social não comporta paraísos de condomínio fechado.

Sobre qual atitude tomar diante de tais dados, talvez valha a pena lembrar de uma posição do antigo presidente francês François Mitterrand (1916-1996).

Quando foi eleito pela primeira vez, em 1981, Mitterrand prometera abolir a pena de morte na França. Todas as pesquisas de opinião demonstravam, no entanto, que a grande maioria dos franceses era contrária à abolição.

Mitterrand ignorou as pesquisas. Como se dissesse que, muitas vezes, o governo deve levar a sociedade a ir lá aonde ela não quer ir, lá aonde ela ainda não é capaz de ir. Hoje, a pena de morte é rejeitada pela maioria absoluta da população francesa.

Tal exemplo demonstra como o bom governo é aquele capaz de reconhecer a existência de um potencial autoritário nas sociedades de democracia liberal e a necessidade de não se deixar aprisionar por tal potencial.

VLADIMIR SAFATLE

Quando os interesses individuais da propriedade atropela os interesses coletivos: é a justiça que falha.