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Quando a imprensa se torna um partido político existe a possibilidade de torcer ao contrário de fazer reportagem

6 de Outubro de 2010

Fonte: http://aposentadoinvocado1.blogspot.com/2010/10/quando-imprensa-se-torna-um-partido.html?utm_source=twitterfeed&utm_medium=twitter

Eleições 2010
PARA CONTER A DEBANDADA

PT corre para aparar arestas com aliados que não receberam “afagos” no primeiro turno e evitar desmobilização nos estados. Ciro se torna coordenador e ajudará na aproximação com Marina
Denise Rothenburg
Igor Silveira

  • No primeiro turno, os políticos fizeram fila na porta do Alvorada em busca de uma mensagem de apoio do presidente Lula e de sua candidata Dilma Rousseff para exibir na TV. Agora, o processo se inverteu. Dilma e Lula correm atrás dos políticos. Depois de deixar potenciais aliados pelo caminho, a coordenação de campanha petista começa a temer que os candidatos desprezados na primeira fase simplesmente lavem as mãos no segundo turno. Nas reuniões que fizeram ao longo dos dois últimos dias, PMDB e PT avaliaram separadamente que um erro crucial foi a falta de uma política mais amistosa com alguns aliados.
    Por isso, a campanha governista será montada com quatro ingredientes: a tentativa de resgate daqueles que ficaram para trás; um plano de governo que inclua a essência das propostas de Marina Silva, de forma a atrair os eleitores dela; uma pitada a mais de alegria, com Dilma nas ruas, mais próxima do povo; e, fechando tudo, um presidente menos raivoso para com a imprensa e com a oposição. O “Lulinha paz e amor”, como declarou o governador de Pernambuco, Eduardo Campos. O horário eleitoral gratuito, que vai espelhar essa toada, terá início na sexta-feira (leia mais na página 9).
    O resgate de alguns aliados é considerado crucial. Em Mato Grosso do Sul, o governador eleito André Puccinelli (PMDB) chegou a oferecer uma proposta de neutralidade na sucessão presidencial desde que o governo federal ficasse neutro na eleição estadual. Foi desprezado. Puccinelli então abriu seu palanque para Serra, que obteve ali 42,35% dos votos, contra 39,86% de Dilma e 16,88 de Marina Silva. No Piauí, o senador eleito Ciro Nogueira (PP), desmotivado, até saiu mais cedo da reunião dos aliados com a candidata na segunda-feira. É outro que não se sente parte integrante do time de Dilma porque, ao longo do primeiro turno, aguardou uma gravação de apoio para exibir na TV e não a obteve.
    Na Bahia, o deputado Geddel Vieira Lima, do PMDB, passou a campanha para o governo buscando um afago do presidente Lula e uma gravação da candidata. Nem que fosse para dizer que ele tinha sido um bom ministro da Integração Nacional. Dilma e Lula, nas visitas ao estado, desfilavam exclusivamente ao lado de Jaques Wagner e ainda declararam que, se fossem baianos, votariam no petista. Para completar, Geddel, logo depois da eleição, recebeu um telefonema de Serra e não de Dilma ou Lula. A petista só ligou ontem, depois que Serra já havia telefonado. “Sou amigo de Serra, mas sou homem de partido. Quem vai pautar meu comportamento é o PMDB”, diz Geddel, claramente desmotivado.
    Avaliação
    Para atrair esse pessoal, o presidente Lula reuniu governadores e senadores eleitos no Palácio da Alvorada, onde fez uma avaliação do resultado. “Dilma saiu do nada e obteve 47%, o mesmo que obtive no primeiro turno da reeleição. Foi um grande feito. E tenho certeza de que vamos ampliar no segundo turno como aconteceu comigo”, disse o presidente. Ali estavam líderes como os governadores eleitos do Rio Grande do Sul, Tarso Genro (PT); do Amazonas, Omar Aziz (PMN); do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB); e os reeleitos de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), de Sergipe, Marcelo Déda (PT), e do Ceará, Cid Gomes (PSB). Sérgio Cabral (PMDB), do Rio Janeiro, não esperou o encontro ampliado. Justificou a ausência dizendo que tinha compromissos no Rio.
    Para o presidente, os aliados devem trabalhar para desfazer os nós religiosos sobre aborto e união homossexual e, ao mesmo tempo, trazer para o primeiro plano a comparação entre os governos de Fernando Henrique Cardoso e o dele, Lula. A tal polarização que o PT tentou fazer no primeiro turno e não conseguiu por conta de Marina. “Nos últimos dez dias, fomos vítimas de uma campanha fascista, caluniosa. Isso fez com que uma parcela do eleitorado que estava nos apoiando desse um passo para trás. O segundo turno é a oportunidade de desfazer versões mentirosas”, disse Campos.
    Uma aparição importante ontem em Brasília foi a do deputado Ciro Gomes (PSB-CE), amigo de Marina Silva e alçado à condição de um dos coordenadores de campanha. “Sou uma das pessoas que tem, talvez, mais intimidade, carinho e respeito por Marina”, explicou. Segundo o presidente do PT, José Eduardo Dutra, Marina já topou negociar com o partido. Mais tarde, porém, a assessoria da senadora afirmou que ela declarou apenas que gostaria de iniciar as conversas sobre as condições de apoio, assim como
    fizera com Serra. Enquanto a articulação segue, Dilma Rousseff incorpora bandeiras verdes. Na entrevista de ontem, ela afirmou que é uma mulher “a favor da vida”, como Marina enfatizava.
    PPS contra o uso do palácio
    As reuniões no Alvorada se tornaram motivo para uma representação do PPS no Ministério Público Eleitoral. O partido que apoia a coligação de José Serra entende que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve ser investigado por uso eleitoral da máquina pública. Para o PPS, os dois encontros que Lula promoveu, domingo à noite e na manhã de ontem, para avaliar o primeiro turno, configuram uso eleitoral de prédios públicos, o que é proibido pela Lei Eleitoral. A assessoria de imprensa do Planalto afirmou que o governo não iria responder ao questionamento do PPS ontem.
    Faltam 25 dias para o 2º turno
    Análise da notícia
    A fatura encareceu
    Dilma Rousseff teve a eleição na mão no início de setembro. Ali, entretanto, começou a se perder. Lula, considerando o primeiro turno da sucessão presidencial favas contadas, abandonou o jogo político da boa vizinhança e apostou as fichas na eleição dos governadores e senadores amigos — como o derrotado Zeca do PT (MS) — sem levar em conta que poderia precisar dos adversários desses petistas. Agora, a conta sairá muito mais cara, porque, entre os peemedebistas, já existe quem avalie que o partido tem muito mais a ganhar com José Serra na Presidência do que com Dilma Rousseff. Afinal, o PMDB é hoje maior que o PSDB e o DEM juntos e está quase do mesmo tamanho do PT.
    Não é à toa que hoje Michel Temer irá reunir o PMDB derrotado e vitorioso nas urnas para um apelo em favor de Dilma. A avaliação é de que esse momento é crucial para lembrar aos peemedebistas que Michel na vice-presidência é a vitória de todo o partido. E que, num governo da petista, eles vão dividir o trono e não ganharão apenas espaço na periferia. A ordem é “cortar o mal pela raiz”, conta um cacique do PMDB, antes que os tucanos tentem cooptar mais alguns para o lado de Serra. Pelo visto, além do PV, a cúpula da campanha de Dilma terá que ficar com os olhos bem abertos com os aliados. (DR).
    Personagem da notícia
    O “pitbull” sai da toca

    Carlos Moura/CB/D.A Press – 29/7/10

    Ciro Gomes saiu da toca. Impedido de participar da corrida presidencial pelo PSB, em abril deste ano, após a intervenção do presidente Lula, o deputado federal passou o primeiro turno no Ceará, ajudando a reeleger o irmão, Cid Gomes, ao governo estadual. O apoio discreto a Dilma Rousseff não vai se repetir nesta segunda etapa do pleito. Convidado para integrar oficialmente a coordenação de campanha da petista, ele vai ajudar a planejar os próximos passos da presidenciável e as estratégias nos estados. O trabalho começou intenso. Depois do encontro com a candidata ontem à tarde, no Lago Sul, Ciro permaneceu na casa para participar de reuniões mesmo depois que Dilma deixou o local.
    O estilo agressivo de Ciro Gomes também não demorou a aparecer. Ao deixar o Palácio da Alvorada, onde se reuniu com Lula durante a manhã, ele foi perguntado sobre o trecho do jingle do tucano José Serra que diz que “o Serra é do bem”. A resposta veio afiada. “Todos sabemos que os marqueteiros usam artifícios para atenuar as características ruins dos candidatos. Eu, mais do que ninguém, sei que o José Serra é do mal”, disparou.
    Conhecedor das entranhas e, portanto, das fraquezas do PSDB — legenda que o abrigou durante a primeira metade da década de 1990 —, Ciro Gomes não deve poupar o candidato ao Palácio do Planalto e será uma grande arma do PT, que pretende poupar Dilma e Lula de questões polêmicas. Sem o amigo Tasso Jereissati (PSDB-CE), que ficou de fora do Senado, para frear suas reações explosivas e com um José Serra, um dos seus principais desafetos, como alvo principal, Ciro deve movimentar o segundo turno presidencial. (IS)

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