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Hipóteses para o caso do vazamento

3 de Setembro de 2010

Fonte: http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/hipoteses-para-o-caso-do-vazamento

Em Observação

Há várias hipóteses para o episódio do vazamento das declarações de renda. Uma delas, que os autores tenham sido "aloprados". Outra, que tenha sido fruto de brigas intestinas no próprio PSDB. Uma terceira, que seria uma manobra da própria inteligência de José Serra, visando contrabalançar os efeitos das investigações do jornalista Amaury Ribeiro Junior.

Em relação às duas últimas hipóteses, o relato abaixo me pareceu o mais embasado. Ontem à noite estive com um velho amigo, jornalista mineiro amigo de Andrea Neves. Ele me contou de conversas que teve com ela algum tempo atrás e de sua indignação com manobras de São Paulo visando comprometer a candidatura de Aécio.

O relato confirma a segunda hipótese. A terceira hipótese entra no texto como fruto de deduções. Mas é bastante verossímil – o que não significa necessariamente que seja verdadeira.

Por Webster Franklin

Entranhas do golpe – dossiê nasceu em ninho tucano mineiro

03/09/2010 por Nivia de Oliveira Castro

"Se non è vero, è ben trovato" (ditado italiano)

A CRONOLOGIA DA BALA DE PRATA

Por Alberto Bilac de Freitas *

Para se entender a lógica desse episódio da violação do sigilo fiscal de Verônica Serra, a gênese de tudo e as entranhas da que seja, talvez, a mais bem-urdida trama de espionagem político-eleitoral jamais tentada, há que se raciocinar como um deles; há que pensar como um, digamos, operador das profundezas do subterrâneo malcheiroso em que se transformaram o entorno e o núcleo da entourage próxima a José Serra.

A cronologia do bestialógico:

2005 – Passado o ápice do mensalão, Serra avaliava que Lula seria reeleito em 2006. A partir daí, seguiu-se o roteiro de empurrar Alckmin para a derrota anunciada. Decidira-se desde aí, que a chance de Serra seria em 2010, quando Lula já não poderia ser candidato. Mas o núcleo da inteligência serrista, coordenado por Marcelo Itagiba, sugeriu um laboratório do que seria aplicado em 2010: o escândalo dos aloprados, em 2006, por pouco não derrota Lula. Mas o objetivo era esse mesmo: um teste, para ver se o método aplicado com sucesso em 2002 com o caso Lunus, implodindo a candidatura Roseana, poderia ser reeditado. A armação com o delegado Edmilson Bruno, levando a eleição presidencial para o segundo turno, mostrara a viabilidade do método.

2008 – Com a articulação de Aécio Neves para o ser o candidato do partido em 2010, o staff de Itagiba começa a fazer um trabalhinho miúdo sobre o mineiro; coisa de pequena monta, que não inviabilizasse o apoio deste a Serra, no futuro, mas o suficiente para afastá-lo da disputa. Quando os esbirros de Serra na mídia lançaram a senha: Pó pará, governador! Aécio entendera que a turma era da pesada e não estava para brincadeiras. Nasceu aí o contra-ataque aecista: Amauri Ribeiro Júnior, então em um periódico mineiro, encabeçaria o projeto do contra-ataque e municiaria a artilharia mineira. Essa batalha subterrânea duraria até o final de 2009, quando Aécio recuaria.

2009 – Durante a batalha entre os dois grupos tucanos, Serra fica sabendo da farta e explosiva munição recolhida por Ribeiro Jr. O núcleo de sua equipe de inteligência, coordenado por Itagiba e que o acompanha desde os tempos do Ministério da Saúde, o adverte então: o material era nitroglicerina pura. Urgia providenciar um fogo de barragem, que pudesse ao menos minimizar o estrago quando o material viesse a público. Nasceu então, aí, nesse espaço-tempo, o hoje famoso dossiê "quebra de sigilo de Verônica Serra"! Notem que os personagens envolvidos na ‘quebra de sigilo’ são os mesmos do livro do Amauri: José Serra, Ricardo Sérgio de Oliveira, Gregório Marin Preciado, Mendonça de Barros e Verônica Serra (aí leia-se também Verônica Dantas e seu irmão, o querubim Daniel). Eduardo Jorge foi inserido aí como seguro. Próximo a FHC, mas não de Serra, EJ era o seguro contra qualquer atitude intempestiva de FHC, sabidamente não confiável, para que se mantivesse quieto quando a artilharia pesada viesse à tona.

2009 – Tomada a decisão, parte-se para o fogo de barragem. A parte mais fácil foi a montagem da ‘quebra’ de sigilo fiscal das vítimas. A incógnita, até agora, é que tipo de envolvimento tem o laranja Antônio Carlos Atella com a operação. Se é apenas mais um cavalo, o clássico operador barato, facilmente descartável, com acesso a algumas informações úteis e suficientes e lançador da isca fundamental: "Não me lembro quem foi… com certeza é alguém que quer prejudicar o Serra". Ou se é alguém orgânico, um insider dos intestinos itajibistas!

2010 – Com a desistência de Aécio, o grupo fica com a arma na mão, à espera da publicação do livro. É aí que se opera a clivagem para o quadro definitivo que vemos hoje: não é suficiente esperar o ataque do Aécio, que pode não vir, já que o mineiro recolheu suas baterias para o front de Minas Gerais. É preciso partir para o ataque. Além de neutralizar o grupo de Aécio, jogar pensando na frente, em fubecar a campanha de Dilma Roussef. Reeditar o mesmo estratagema de 2006. Ganhar a eleição na mão grande. O delegado Onésimo (outro que acompanha o grupo desde os tempos do bureau de inteligência do Ministério da Saúde) seria despachado para contactar o inimigo. Pausa. Agora recortem os informes dos integrantes do ex-comitê de inteligência de Dilma: tanto Lanzetta quanto Amauri reportam que Onésimo sugeriu insistentemente ao comitê, a realização de ações de contra-inteligência contra Serra. O azar deles é que Amauri, jornalista macaco velho e com conhecimento da comunidade de informações, sentiu logo o cheiro de queimado e cortou, de pronto, as ofertas de Onésimo. Não houvesse a negativa de Amauri, o passo seguinte de Onésimo seria a oferta do dossiê (já pronto) com a quebra de sigilo fiscal dos 05 tucanos. Estaria pronta e armada a reedição do escândalo dos aloprados em sua segunda versão. A campanha de Dilma não resistiria. A versão dos aloprados de 2006, perto desta, seria pinto. Era o modo mais seguro de Serra se eleger presidente. Esse é o modus operandi de Serra.

Com a recusa do ex-comitê de Dilma em morder a isca, tiveram que refazer o plano. O PT aprendera com os aloprados de 2006. Dilma, nesse ponto, muito mais impositiva que Lula, decepa no nascedouro o comitê de inteligência. O projeto original se complicara. Com o dossiê pronto desde 2009, a solução era vazá-lo, aos poucos, para a mídia parceira. Primeiro, vaza-se o EJ. Cria-se uma comoção (se bem que EJ, como vítima, não ajuda muito). Depois, a conta gotas, vem o restante: Ricardo Sérgio, Marin Preciado e Mendonça de Barros. E por fim, a cereja do bolo: Verônica Serra. Observem que o momentum foi escolhido a dedo por Serra: a entrevista em um grande telejornal! De novo, a semelhança: em 2006, os pacotes de dinheiro do delegado Bruno saíram no Jornal Nacional, da Globo; agora, o momento ‘pai ultrajado’ de Serra, foi encenado no Jornal da Globo! A intelligentsia serrista já foi mais original.

Diante desse quadro, o leitor inquieto deve estar se perguntando: o que deve fazer o PT e a campanha de Dilma? Assistir, inertes, a mais uma escalada golpista, como foi a de 2006? Tentar fazer o contraponto em uma mídia claramente parcial, golpista e oposicionista, conforme confessou dona Judith Brito, diretora da ANJ? O que fazer? O governo sabe onde está o antídoto ao veneno golpista da oposição! Não sei até que ponto o jornalista Amauri Ribeiro Júnior está integrado à campanha de Dilma Roussef. Também não sei até que ponto vai o empenho dele em livrar o país do ajuntamento político mais nefasto que o infesta, desde a redemocratização. O fato é que o seu livro, Os Porões da Privataria, é esse antídoto! Esse livro, verdadeira bateria anti-aérea que pode abater o núcleo duro do tucanato ligado à Serra, e o próprio Serra, de uma só vez, pode ajudar o Brasil a virar uma das páginas mais negras de seu curto período democrático!

Do Estadão

Contador diz que declaração da filha de Serra ia para ‘pessoal de Brasília e Minas’

Atella Ferreira diz que colega lhe pediu para obter documentos da Receita e cita encomenda de 18 declarações

Fausto Macedo e Bruno Tavares/SÃO PAULO – O Estado de S.Paulo

A chave para o mistério que ronda a violação de dados fiscais de Verônica Serra, filha do candidato do PSDB à Presidência, José Serra, aponta para dois contadores: Antonio Carlos Atella Ferreira e Ademir Estevam Cabral. Ambos estabelecidos em São Paulo, eles ocupam escritórios separados, mas atuam em parceria.

Atella declarou nesta quinta-feira, 2, que Cabral o procurou em setembro de 2009 e lhe encomendou um serviço junto à Receita – a apresentação de um lote de "cerca de 18" pedidos de obtenção de cópias de declarações de imposto de renda de pessoas físicas. Cabral tinha pressa, conta Atella. "Ele disse: ‘Ô Atella, os documentos são para um pessoal de Brasília e de Minas, eles estão vindo aí. Tem que ser coisa rápida’."

Segundo Atella, o colega não lhe disse quem era o grupo interessado no resultado da pesquisa, nem se tinha ligação com alguma agremiação política.

Em 24 horas, Atella cumpriu a missão que culminou no episódio que põe sob suspeita analistas tributários e servidores do Serpro no Fisco em Mauá e em Santo André.

Ele foi identificado pela comissão de inquérito da Corregedoria da Receita como o homem que pediu acesso às informações de Verônica e juntou ao expediente uma procuração com assinatura falsificada da filha de Serra e dados incorretos do tabelião. O protocolo de entrada é de 29 de setembro, a retirada ocorreu no dia 30.

Atella diz que não viu nomes na papelada que lhe foi entregue por Cabral. "Eu vejo números, eu vejo CPFs, eu só conto quantos têm, não corro atrás de nomes", afirma. "Nem sabia que Serra tinha filha." O contador, de 62 anos, disse que "é uma vítima, tanto quanto essa moça (Verônica)". "Armaram para mim, quem armou deve pagar."

Na noite de quarta-feira pôs-se a refletir, "puxou pela memória" para tentar lembrar quem teria passado o serviço que lhe rendeu "essa encrenca toda". Leu e releu com "muita atenção e angústia" suas cinco agendas de capa plastificada nas quais lança os nomes da clientela e datas.

"Fiz um exercício de memória, fiquei na dúvida entre pelo menos seis advogados para os quais trabalho regularmente. Aí lembrei que o Ademir me procurou naquela ocasião com um lote grande, não era um pedido isolado", relata. "Ele me passou o serviço, mas não tenho como provar que no meio daqueles pedidos tinha alguma coisa de Verônica. Tenho que fazer exclusões e probabilidades para não atirar para todos os lados. Eu me lembro bem que ele (Cabral) disse que aquela documentação era para um pessoal de fora de São Paulo que estava com pressa, mas nunca disse que era para fins políticos."

Ele diz que nesta quinta, logo cedo, ligou para Cabral e comentou sobre o noticiário que o citava. "Eu perguntei ao Ademir se essa história era sobre o lote que ele me passou, ele não desmentiu."

Evasivas. Cabral negou envolvimento na empreitada, mas é evasivo quando questionado sobre a origem dos pedidos que entregou ao colega. Não quis falar pessoalmente, deu sua versão por telefone e argumentou que iria primeiro procurar orientação de um advogado, que chamou de "dr. Marcel, da Paulista".

Disse que "tem amizade" com Atella, mas que nunca pediu ao colega nada que fosse relativo à empresária. "Não adulterei a rubrica dela nem a de ninguém."

Confirmou que há cinco anos faz dobradinha com Atella, mas rechaçou a versão de que tenha sido contratado por emissários de Brasília ou de Minas.

"O Antonio Carlos (Atella) faz pesquisas para mim na Receita e em outros órgãos federais, mas nunca passou pelas minhas mãos documento algum sobre essa pessoa (Verônica)", rebateu Cabral, que disse ser filiado ao PV em Francisco Morato, onde reside e possui um bar.

Ele disse que "trabalha com frequência" para vários advogados, dos quais não citou nomes. "Nunca trabalhei para políticos", garantiu. Também alega jamais ter posto os pés na Agência da Receita em Mauá, foco central do escândalo, e que não conhece os servidores sob suspeita. "Quando precisava de algum serviço (em Mauá) eu falava com o Antonio Carlos (Atella)."

Cabral disse não se lembrar de ter pedido pressa para execução da demanda a que Ferreira se refere. Sobre quem lhe pediu as cópias de declarações afirmou, mais uma vez, que "não se recordava"

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