Carta aberta ao Governador Geraldo Alckmin: na calada da noite, a tropa de choque invade Pinheirinho
Foto: Roosevelt Cassio/Reuters
Ao Governador do Estado de São Paulo Geraldo Alckmin:
Caro Governador, eu como cidadã de São Paulo estou indignada com a violência empregada na pela PM da qual o Sr. é responsável durante a desocupação do Pinheirinho.
É inacreditável que o senhor tenha feito a desocupação violenta de madrugada, na calada da noite de um domingo deixando os moradores na rua.
Homens, mulheres, adolescentes e até crianças foram surpreendidos e jogados ao léu, sem nenhuma opção de moradia´.
Durante vários dias acompanhei a situação dos moradores de Pinheirinho, se trata de uma ocupação antiga de um terreno do que pertence à massa falida da empresa Selecta S/A, do empresário libanês Naji Nahas.
Naji Nahas responsável pela quebra da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro em 1989. Nahas tomava emprestado de bancos e aplicava na bolsa, fazendo negócios consigo mesmo por meio de laranjas e corretores, inflando as cotações. Ante grandes valorizações de ações, os bancos pararam de lhe emprestar, causando quebra em cascata na bolsa do Rio. As acusações contra Nahas passam por desvio de verbas públicas, corrupção e lavagem de dinheiro.
O deputado federal Protógenes Queiroz informou que a área é de interesse da União, que pretendia, através do Ministério das Cidades, lhe dar destinação social.
Provavelmente, garantir a posse a cerca de dez mil pessoas que viviam ali, muitos há mais de 20 anos!
Portanto, Governador, a posse daquela área tem origem num crime hediondo, uma chacina. Moravam ali, num casarão, uma família alemã, toda a família foi assassinada, nunca se soube quem mandou matar. Na época prenderam três menores, mas não os mandantes. O então governador de São Paulo, Paulo Egydio mandou desapropriar a área, pois a família não tinha descendentes no Brasil.
Achei realmente estranho, o Sr. Governador desapropriar uma área que é sua?! E pior, ter um comprador para área que pertence ao Estado de São Paulo. O senhor por acaso vendou uma área pública para o setor privado?
Detalhe: a área deve valer uns R$ 200 milhões.
Então travou-se uma batalha judicial, onde os bandidos de togas de São Paulo suspeitos de enriquecimento ilegal deram aval a desastrosa ocupação.
A Justiça Federal não permitiu que a PM de São Paulo devolvesse a “propriedade” a Naji Nah, mas o bandidos de togas da Justiça de São Paulo entenderam que deveriam devolver a Nahas o que Nahas diz que comprou.
Houve um conflito de competência, a decisão de desocupação da área foi arbitrada, num plantão, na calada da noite, pelo presidente do STJ, Ministro Pargendler. E é claro que a União iria recorrer, mas o Sr. Governador que vendeu uma área pública resolveu não esperar e mandou bala na população!
Afinal, a União poderia recorrer e tomar a terra de volta e devolver a terra para quem é de direito: ao povo brasileiro e mais especificamente aos moradores do Pinheirinho.
O senhor fez uma manobra de má-fé do Governador , pois de um lado negociava, com os parlamentares, de outro, determinava a desapropriação da área, em uma ação em conjunto com a Justiça de São Paulo.
O senador Eduardo Suplicy (PT) e o deputado federal Ivan Valente (Psol-SP) estavam dialogando com o senhor, com o prefeito Eduardo Cury (PSDB) e com proprietário da área, para achar uma solução negociada. O próprio dono da área já havia concordado em aguardar mais 15 dias.
Então porque a violência? Porque o senhor não esperou? Porque não negociou com essas famílias?
As 6.000 pessoas moravam em Pinheiro não são aventureiros, não são invasores forçando a barra para conseguir imóveis para futura negociação. São famílias que se estabeleceram ao longo de anos, criando uma comunidade com velhos, crianças, mulheres, mães e pais de família, que levantaram suas casas em regime de mutirão, firmaram-se nos seus empregos, colocaram suas crianças nas escolas, criaram uma comunidade sem nenhuma ajuda do poder público.
O senhor preferiu então enviar 2.000 policiais militares para invadir o bairro do Pinheirinho em helicópteros e até blindados, jogando bombas contra mulheres e crianças, há denúncias ainda não confirmadas de até sete mortos e número ainda incerto de feridos, sendo boa parte mulheres (algumas grávidas) e crianças.
As imagens não me deixam mentir, são elas que vão deixar mais essa mancha no seu governo: mulheres correndo com crianças no colo em meio as bombas e chamas.
Suas mãos, Governador, estão manchadas de sangue, sangue dos professores, dos estudantes, dos usuários de crack e agora dos moradores do Pinheiro.
Selene Gallucci Sidney
Cidadã de São Paulo e indignada com política e polícia do Governo do Estado de São Paulo




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Parece incrível mesmo…
Parabéns Selene, realmente a especulação imobiliária é desumano e seu especuladores capitalistas, covardes e os governantes “Tucanos do PSDB” e outros partidos políticos que recebem dinheiros de empresas privadas, corruptos, sem falar da justiça. Como diz o povo: A justiça foi feita para os ricos e a injustiça para os pobres. Pois sabemos que isto não acontece apenas em SP, mas, no Brasil e no mundo capitalista. Aqui em Pirapora MG onde morro é do mesmo jeito e o nosso governador Antônio Anastasia, também é do PSDB e trata os trabalhadores da mesma forma, é só lembrar a greve dos professores do estado. Ass. Aldiério Indignado.